AMOR AO PODER

Aproximam-se as eleições municipais. Como em todas as outras, aqueles que nunca foram à Igreja, começam a se tornar assíduos frequentadores. Os que “são de igreja”, intensificam suas orações, suas novenas”. Falam de seu passado, como coordenadores, membros de grupos de jovens. Falam do que farão pela igreja, caso sejam eleitos. Os que não costumam frequentar nenhuma igreja, usam de toda trama para intimidar o adversário. Esses o fazem com profissionalismo, apesar da maldade e dos meios diabólicos dos quais se utilizam. Agora, o pior mesmo são os que são considerados bonzinhos. Esses, muitas vezes, em nome da fé, também se utilizam de ferramentas diabólicas para calar ou impedir o adversário, sobretudo, se está em condições de ver sua campanha alavancar. Usam o nome de Deus em vão. Usam o nome da Igreja.
Já ouviram falar do lobo com pele de ovelha? Eu ouvi numa das fábulas de Esopo, que falou sobre um lobo que quer colocar uma pele de ovelha para que ele possa enganar o pastor a acreditar que ele é um cordeiro. Então, quando o pastor fechou o cerco do rebanho atrás do portão à noite, o lobo pensou que ele estava livre para comer todas as ovelhas que ele queria. Para sua surpresa, o pastor voltou para o rebanho para recolher a carne para o dia seguinte. O lobo em pele de cordeiro foi morto justamente por se passar por uma das ovelhas. Portanto, essa experessão quer dizer simplesmente que alguém está fingindo ser algo que não é.
Agora vamos à Bíblia. Usarei somente um texto: Mt 7, 15: “Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes”. Mas por que tudo isso? Simplesmente, pela sede de poder. Pelo amor ao poder. E nesse tempo, vale tudo. Vale falar mal do irmão, vale inventar, vale caluniar. Depois é só pedir perdão, e pronto.
É muito verdadeira aquela expressão: “Homo Homini Lupus” ( o homem é um lobo para o homem). Pode-se aplicar a vários âmbitos, como por exemplo no trabalho( competição e uma guerra com o intuito de tomar o lugar do outro), na política (sempre procurando encontrar alguma coisa para destruir o outro e, muitas vezes, usando o nome de Deus). A frase foi pronunciada por Plauto, escritor romano. Essa mesma frase foi comentada e popularizada por Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII, em sua obra Leviatã. “Maldito o homem que confia no homem” (Jr 17,5). O homem engana, mente, decepciona. Deus é fiel, liberta, cura, transforma. O homem arma ciladas, trai, finge, fere. Deus é misericordioso. O homem é arrogante, presunçoso, é orgulhoso, falso. Somos nós que nos derrotamos a nós mesmos. Perdemos ou deixamos de ganhar o que era nosso, porque fomos inimigos de nós mesmos.
“Não queremos que este homem reine sobre nós” (Lc 19, 14). Esta foi a razão pela qual o povo matou a Jesus. Queremos reinar por nossa conta. Queremos ser melhores que os outros. Queremos fazer valer as nossas convicções. Pregamos o amor, a verdade e agimos de maneira diabólica. A inveja e o amor ao poder foram os principais pecados que cravaram Jesus na cruz. É o pior que se pode dizer acerca de qualquer pecado. O desejo de dominar leva em si um poder destrutivo. Isto pisoteia a todos os que querem andar pelo nosso caminho. Dizemos: isso é meu espaço, você não pode andar por aqui. Se você quiser andar, tem que se submeter a meus caprichos. Cada vez que queremos dominar, estamos nos rebelando contra Deus e seu domínio. Não deixamos lugar para Deus em nossas vidas, porque se deixássemos seríamos mais honestos, sinceros e transparentes. Assim como o povo de Israel e suas autoridades, excluímos o Senhor. Pregamos muito bonito, mas exluímos nosso Senhor e Criador de nosso meio, porque o que nos interessa é o poder. Amamos o poder.
O amor ao poder está relacionado com o orgulho e um alto conceito de si mesmo – o ímpeto dos maus governantes. A tirania a experessamos quando queremos ser chefes de todos os que nos rodeiam e insistimos em que se cumpram nossos caprichos. Este pecado demonstra que não temos humildade. Porque quando tratamos de dominar aos outros, assumimos uma posição que não nos corresponde. Com nosso amor ao poder, nos colocamos sobre o trono, bem alto, por cima dos demais e os dominamos com nossas palavras e obras. Não compreendemos que nossa atitude é oposta a de Deus, porque Deus reina de modo diferente, por meio de um amor que serve, como o fez Jesus, que tinha um poder de amor e não um amor ao poder. Seu poder não foi violento, não procurou nada que pudesse condenar. Veio para servir e o fez muito bem. “Estou entre vocês, como aquele que serve” (Lc 22,27).
Temos que concordar com Gandhi, quando diz que gosta de Cristo, mas não gosta dos cristãos. Dizia ele: “Estou seguro de que se ele vivesse agora entre os homens, abençoaria a vida de muitos que nunca ouviram falar de seu nome”.
Pe. Antonio Mello, CSsR
Telêmaco Borba, julho/2016.
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