Dom Odilo responde a críticas à Igreja Católica por apoiar escola de samba

O cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, rebateu críticas recebidas pela Igreja Católica pelo apoio à escola de samba Unidos de Vila Maria, que, neste Carnaval, fará uma homenagem aos 300 anos de Nossa Senhora de Aparecida. Em artigo publicado no jornal “O São Paulo”, publicado pela arquidiocese, o religioso disse que quer desfazer dúvidas e temores sobre o desfile e ressaltou que o significado cultural da devoção à padroeira do Brasil é maior que a homenagem religiosa.

No texto, o arcebispo falou de sua devoção à santa e de como a escola aceitou todas as orientações e restrições da igreja para a homenagem, como a proibição da nudez e do sincretismo religioso. “Até o presente, não há motivos para pensar que a imagem de Maria seja profanada, nem que seja desrespeitada a fé dos católicos”, argumentou.

Dom Odilo comentou ainda que a iniciativa no sambódromo pode parecer chocante para algumas pessoas, porque não seria o lugar mais adequado para exaltar a padroeira. “Até pode ser, pois tudo depende da intenção e da forma como as coisas são feitas. No caso em questão, a intenção é boa e a forma também. O lugar seria impróprio para honrar a puríssima Virgem Maria? Mas será que Maria não gostaria de chegar lá, onde mais se faz necessária a sua presença?”, escreveu.

O cardeal argumentou que as missas são realizadas em praças, avenidas, cracolândias, onde acontecem injustiça, violência e prostituição. “Não foi para os pecadores que Jesus veio ao mundo? E sua Mãe Santíssima não iria com Ele a esses locais? E Jesus não entrou na casa de publicanos e pecadores, escandalizando fariseus e mestres da Lei? E não permitiu que uma mulher, conhecida de todos como pecadora, banhasse seus pés com as lágrimas, os beijasse e ungisse com perfume? E os católicos não poderiam honrar o nome de Deus, professar sua fé e prestar homenagem a Nossa Senhora também no sambódromo?”, encerrou.

A Unidos de Vila Maria desfila no dia 24 de fevereiro, sexta-feira de Carnaval, no Anhembi. Para o desenvolvimento do enredo, a escola contou com a orientação e acompanhamento da Arquidiocese de São Paulo e do Santuário Nacional.

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